domingo, 5 de março de 2017

Carta de Campina Grande - VINACC 2017

“Há 500 anos, em 31 de outubro de 1517, o monge alemão, Martinho Lutero afixou às portas do castelo de Wittenberg as suas 95 teses denunciando as indulgências e os excessos da Igreja, iniciando com tal ato a Reforma Protestante. Hoje, quinhentos anos depois, a igreja evangélica brasileira tem enfrentado crises, lutas e desafios, como também o surgimento de heresias e graves desvios teológicos. Como se não bastasse, por fatores diversos, constatamos que uma parcela significativa do evangelicalismo brasileiro tem abandonado o compromisso com o evangelho ensinado por Cristo, proporcionando com isso um claro e real afastamento das doutrinas defendidas pelos reformadores.

Para piorar a situação, os últimos anos têm sido marcados pela ação de lobos ferozes, que mediante ensinos espúrios têm induzido o povo de Deus a erros crassos, comercializando a fé, vendendo o evangelho e negando a Cristo.

Diante disto, nós, membros da igreja de Jesus Cristo, participantes do 19º Encontro para a Consciência Cristã, além de repudiarmos aqueles que tem feito da igreja um negócio, celebramos a comunhão que desfrutamos como povo de Deus, unidos ao redor do evangelho de Cristo, e afirmamos:

1. Que a Escritura é a inerrante Palavra de Deus, além de única fonte de revelação divina, como também única para constranger a consciência. Afirmamos também que a Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e que ela é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos também que qualquer concílio ou líder religioso possa constranger a consciência de um crente, e que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação doutrinária.

2. Que a salvação do pecador se dá única e exclusivamente pela obra mediatória de Cristo Jesus na cruz. Afirmamos também que Cristo não cometeu pecado e que sua morte, expiação e ressurreição por si só são suficientes para nossa justificação, redenção e reconciliação com Deus. Além disso, negamos que o evangelho possa ser pregado sem a proclamação da obra substitutiva de Cristo, bem como seja possível alguém ser salvo fora de nosso Salvador.

3. Que ao sermos salvos por Cristo somos resgatados da ira de Deus unicamente por sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, concedendo-nos fé e arrependimento, libertando-nos de nossa servidão do pecado e erguendo-nos da morte espiritual para a vida espiritual. Negamos também que a salvação seja possível mediante ações ou obras humanas, como também afirmamos que acreditamos que métodos ou estratégias humanas por si só não podem realizar a transformação do pecador.

4. Que a justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Afirmamos também que a justificação, a retidão de Cristo, nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.

5. Que como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela ocorre para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Afirmamos também que como cristãos devemos viver perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente. Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou confundirmos a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a autoestima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Assim, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante de Deus e de seu povo de perseverar nessa fé, colocá-la em prática e ensiná-la com todo empenho, para vermos em nossa nação brasileira um poderoso progresso do evangelho de Cristo”.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O Evangelho não é um negócio milionário

De tempos em tempos os líderes das principais denominações neopentecostais promovem campanhas em suas igrejas com o propósito de arrecadar grandes quantias de dinheiro. Usando (indevidamente) o Nome do nosso Deus, a quem afirmam servir oferecendo-Lhe sempre “o melhor”, convocam os membros, os meros frequentadores de cultos e até mesmo o público em geral a ofertarem o máximo que puderem, para viabilizar a construção de templos enormes, a manutenção ou ampliação de programas de TV e a realização de eventos grandiosos.

Esse discurso que há anos vem sendo engolido por milhões de brasileiros é uma falácia. Não possui nenhum fundamento bíblico. O Senhor Jesus, nosso modelo perfeito, nunca Se ocupou em construir edifícios ou promover qualquer tipo de evento enquanto esteve na terra. Ele pregava ao ar livre, sem utilizar artifícios para atrair o povo. Os atrativos eram a Sua mensagem poderosa e Sua mão forte que libertava, curava e salvava muitos. Semelhantemente, os apóstolos e a liderança da igreja primitiva ocupavam-se em pregar o Evangelho e transformar vidas, valendo-se do mínimo de recursos. Durante os primeiros séculos da era cristã, nenhum templo foi construído.

Nos períodos mais marcantes da história da Igreja Cristã, ninguém se preocupava em construir ou consolidar impérios da fé. Os valdenses, os pietistas, os puritanos e os primeiros crentes pentecostais queriam somente o crescimento do Reino de Deus, a salvação de almas, a santificação dos irmãos. Quem entende a mensagem de Cristo sabe bem o que realmente importa. Mas, quando a religião institucionalizada cresce, a opulência humana assume o controle, os líderes religiosos se tornam importantes aos olhos de si próprios, aí a mensagem de Cristo não é considerada suficientemente atrativa. É quando denominações resolvem deixar a sua marca por meio de coisas grandiosas, como construções de luxo e congressos pomposos.

Fato é que templos enormes não glorificam a Deus. Papas, reis, bispos, “apóstolos”, denominações religiosas são exaltados por obras de mãos humanas. O Senhor, que criou montanhas, rios, oceanos, estrelas, galáxias, não precisa de edifícios para Se promover. Eventos grandiloquentes também não O glorificam, só servem para impressionar (temporariamente) os participantes, que logo se esquecerão de tudo que viram e ouviram ali. Programas de TV podem transmitir uma mensagem abençoadora em meia hora ou menos, não são necessárias horas diárias de programação, principalmente se esta é ocupada por anúncios publicitários, pedido de ofertas e trocas de farpas entre líderes religiosos.

Então, a Igreja Cristã não precisa arrecadar dinheiro? Sim, recursos financeiros são necessários. Para o sustento digno dos ministros do Evangelho, que afinal devem se alimentar, ter um teto que os abrigue, matricular seus filhos na escola, etc. Coisas que todo trabalhador deveria receber, e, se a injustiça social impera em nosso país, não pode prevalecer no corpo de Cristo. O dinheiro também serve para a construção de templos (não palácios!), pagamento de despesas (água, luz, telefone, Internet, etc), custeio de viagens (nada de jatinhos de luxo, pelo amor de Deus!), etc. E para promoção de obras sociais. Pois a Igreja não pode deixar de socorrer os pobres e necessitados, e para auxiliá-los deve ter condições financeiras.

O Evangelho não é um negócio milionário, ao contrário do que alguns pensam. O Filho de Deus veio ao mundo, Se entregou numa cruz, desceu à sepultura, ressuscitou e hoje intercede por nós junto ao Pai, não para que Seu povo viva como os ímpios, amantes do dinheiro, escravos dos bens materiais. Fomos salvos e regenerados para vivermos de um modo completamente diferente, como peregrinos e forasteiros à espera de uma nova pátria infinitamente melhor e eterna. Que durante nossa breve jornada na terra vivamos de maneira condizente à nossa vocação, buscando o Reino dos céus, não os reinos passageiros deste mundo. Amém!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A história de um crente que se desviou no Seminário

Aos dezesseis anos, Jonas vivenciou uma genuína experiência de novo nascimento. Foi num acampamento promovido pela igreja durante o carnaval. Na segunda-feira, por volta de sete e meia da manhã, orando com os irmãos antes do café, o rapaz que até então não se interessava pelo Evangelho e frequentava os cultos por puro hábito foi tomado por uma forte convicção de seus pecados e de sua dependência da graça divina. Trêmulo e profundamente comovido, clamou pelo perdão de Deus e entregou a vida a Cristo.

Por dois anos consecutivos, Jonas viveu o primeiro amor. Tornou-se assíduo participante da Escola Bíblica Dominical, evangelizou amigos, vizinhos, colegas de escola e parentes. Logo passou a sonhar com o ministério pastoral, expôs seu desejo aos pastores da igreja, e, assim que concluiu o ensino médio, prestou vestibular para Teologia, tendo sido aprovado em primeiro lugar no exame. No dia exato em que completou dezoito anos, o jovem iniciou os estudos num dos Seminários Teológicos mais respeitados do Brasil.

Logo na primeira semana um acontecimento transformou de modo radical a vida de Jonas. No auditório, com a presença dos alunos do primeiro ao último período, foi ministrada pelo diretor do Seminário, um renomado doutor em Teologia, a aula inaugural com o tema “Os Novos Rumos do Cristianismo”. Ali, durante uma hora e meia, o palestrante expôs ao ridículo as principais doutrinas bíblicas do Evangelho que compunham a fé do calouro Jonas, em especial o tema da ressurreição de Cristo. As palavras do experiente teólogo destruíram irremediavelmente o sonho de um rapaz que acreditava em Deus com a simplicidade de uma criança.

Ele não dormiu naquela noite, e mal pode dormir durante duas semanas. Pensou em abandonar o Seminário – deveria tê-lo abandonado e buscado aconselhamento com algum pastor da sua igreja – mas, num misto de orgulho e vergonha, decidiu permanecer ali. Expôs suas dúvidas a alguns professores, os quais, gentilmente, explicaram que aquela crise era “normal”, confessaram terem vivido situações semelhantes e, por fim, acolheram o talentoso aluno. Incentivado por seus mestres e colegas, Jonas mergulhou fundo nos estudos, devorando livros de autores como Rudolf Bultmann e Paul Tillich. Graduou-se em Teologia, fez mestrado, doutorado e tornou-se professor na mesma instituição teológica onde se formou. Jamais exerceu o pastorado ou qualquer outro ministério em igreja.

Ao longo de vinte e cinco anos, Jonas construiu uma carreira brilhante como acadêmico. Lecionou a dezenas de turmas, tendo propagado, com argumentos ainda mais firmes e contundentes, o mesmo ensino que arruinou sua fé quando ainda era um calouro assistindo à aula inaugural do curso de Teologia. Contribuiu decisivamente para que centenas de seus alunos deixassem de crer na veracidade dos relatos bíblicos (alguns vieram a rejeitar o cristianismo e tornaram-se agnósticos ou ateus convictos). Mas uma grave enfermidade interrompeu-lhe a jornada acadêmica e, em apenas um mês, tirou-lhe a vida.

No leito do hospital evangélico, Jonas viveu a terceira experiência decisiva de sua vida. Durante o horário de visitas, alguém bateu à porta do apartamento doze, a esposa do paciente abriu e ali entrou um rapaz de apenas dezoito anos, carregando uma Bíblia nas mãos. Depois de pedir permissão para se aproximar, o jovem leu o texto bíblico de Romanos 8:31-39 e passou a anunciar as boas-novas de Cristo com alegria contagiante. Então, durante a exposição, a graça de Deus tomou o coração de Jonas com vigor idêntico ao do dia de sua conversão. Compreendeu que, no Calvário, foi pago o preço de todos os seus pecados. E chorou abundantemente, glorificando ao Senhor de todo coração.

No dia seguinte, diante da esposa e filhos, Jonas, com voz ofegante e quase sem forças, declarou arrepender-se de toda a sua trajetória como professor de Teologia. Lamentou por ter sido instrumento de incredulidade perante os seus ex-alunos, engrandeceu o Nome de Cristo Jesus e afirmou solenemente que o Filho de Deus veio ao mundo, morreu na cruz a fim de salvar pecadores, ressuscitou dentre os mortos e em breve voltará à terra. Exortou toda a família a crer no Evangelho e a não permitir que ninguém lhes roube a fé. Em seguida, dirigiu algumas palavras de amor a cada um de seus entes queridos e passou a dar graças ao Deus Pai, Filho e Espírito Santo, até seu último fôlego de vida.

sábado, 10 de dezembro de 2016

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 Deus abençoe a todos!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Amarás o teu próximo como a ti mesmo

O capítulo 13 da carta de Paulo aos Romanos contém uma belíssima lição sobre o significado do amor ao próximo, e uma explicação muitíssimo pertinente a respeito do que é pecar contra os nossos semelhantes. Eis o texto: “Por isso: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Rm 13:9). Neste versículo a Bíblia nos ensina que pecado é sinônimo de falta de amor.

Muitos de nós, talvez a maioria, aprendemos desde cedo que Deus simplesmente prescreve uma lista de proibições e, se alguém fizer algo proibido comete pecado. Existem membros de igrejas que mantém esse entendimento equivocado e o ensinam para os próprios filhos até hoje. Não é sem motivo que os incrédulos imaginam o Deus dos cristãos como um ser caprichoso, um desmancha-prazeres que só sabe dizer “não” às nossas vontades. Nossa falta de discernimento faz com que o Senhor pareça injusto, quando, na verdade, Ele é perfeitamente justo, e Seus mandamentos, bons.

Leiamos os versículos 12 a 17 do capítulo 20 de Êxodo, que contém os seis mandamentos específicos sobre nosso relacionamento com o próximo: “Honra teu pai e tua mãe (…). Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás...”. Neles recebemos instruções que, por analogia, se aplicam a inúmeras situações do nosso dia a dia. Por exemplo, o conceito de “pai e mãe” deve ser ampliado a fim de contemplar outras pessoas incumbidas de cuidar de nós e exercer algum tipo de autoridade à qual devemos nos submeter. O entendimento sobre o que é adultério precisa ir além, significando toda forma de sexualidade pervertida. O conceito de furto deve incluir as diversas maneiras de expropriação do patrimônio alheio. Falso testemunho inclui fofoca, calúnia, difamação, mentir em juízo, etc.

Se analisarmos séria e honestamente cada uma das prescrições de Deus, veremos que o Senhor proíbe somente o mal. Sua proibição tem por alvo atitudes que refletem egoísmo, desprezo pelas necessidades, direitos e anseios dos nossos semelhantes, disposição para ganhar fazendo com que os outros percam. Nenhum dos mandamentos foi dado sem motivo e, ainda que a sociedade tolere e banalize o descumprimento de qualquer um deles, o resultado da violação continua sendo mau e injusto. Desobedecer às ordens do Senhor gera sofrimento, pois Ele no-las deu para o bem do próprio ser humano. Esta é a verdade que muitos insistem em ignorar.

A falta de amor, de tão corriqueira, tornou-se de fato banalizada. Pessoas usam umas às outras a fim de obter lucro fácil, satisfazer impulsos sexuais torpes, extravasar rancores e frustrações, alcançar fama e status social, conquistar poder e outros supostos ganhos. Pecar contra o próximo é tratar o outro como coisa descartável. Isso sempre gera consequências, mesmo quando a outra pessoa voluntariamente se dispõe a servir de objeto, ou quando o tratamento injusto é recíproco. Ninguém sai ileso depois de experimentar o pecado, não existe neutralidade nessa área. As feridas surgem mais cedo ou mais tarde, e somente a graça de Deus pode curá-las.

O amor, por sua vez, promove famílias unidas, nas quais o respeito e a consideração de uns pelos outros é real. Produz casamentos sólidos, felizes, marcados pelo carinho, amizade e intimidade prazerosa entre os cônjuges. Gera ambientes de trabalho agradáveis e produtivos, com tratamento digno e remuneração justa para todos os envolvidos. Permite que existam sociedades livres da corrupção, ordeiras, nas quais se pode desfrutar de boa qualidade de vida. Esta é a vontade de Deus para os relacionamentos interpessoais, e a receita é simples: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12:31). Não existem atalhos nem caminhos alternativos para conquistarmos qualquer uma dessas grandes bênçãos. Ah, se nós entendêssemos as palavras do Senhor e nos empenhássemos em vivê-las!